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Restinga um ecossistema vizinho da Serra Geral.
Texto:Micheli Ribeiro Luiz
Fotos:Jose Carlos dos Santos Jr.

Do ano de 2009 ficará na memória as conquistas obtidas pelo Projeto Felinos do Aguaí, principalmente a visita da equipe do globo repórter, que apresentou para todo o Brasil a Reserva Biológica do Aguaí como um dos territórios dos felinos silvestres brasileiros ameaçados de extinção. 

Por falar em felinos silvestres, no final do ano letivo de 2009 fomos visitar uma escola municipal em Treviso, onde será desenvolvido um projeto de educação sustentável promovido pelo Felinos do Aguaí. Por coincidência ou não, nesse mesmo dia encontramos no caminho, próximo ao portal do município, um gato do mato pequeno (Leopardus tigrinus) atropelado. O gato do mato pequeno está entre os felinos silvestres citados na Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Este registro nos chama a atenção que, além dos projetos ambientais nas escolas, poderia ser projetado uma placa de sinalização na região visando conscientizar os usuários da rodovia sobre a presença dos animais, intensificando a proteção da fauna silvestre.

Encerrados os trabalhos de 2009, o projeto entrou no período de férias. Como vamos o ano todo para a Serra, decidimos este ano curtir a temporada de verão no litoral. Esta temporada foi um pouco diferente, pois a invés de descansarmos fomos em busca de conhecer a fauna da região e por conta disso acabamos registrando a fauna silvestre da Mata Atlântica, no ecossistema que compreende a  vegetação de restinga, no estuário Torneiro - Balneário Rincão.

Ficamos supressos com a expressiva fauna encontrada na área. Diferente das encostas da Serra Geral, onde a mata é fechada e difícil de ver os animais, na formação de restinga os campos ralos de gramíneas e moitas de arbustos deixam a vista a fauna silvestre.

Nas várias saídas a campo foi possível flagrar os rapinantes pousados em lugares estratégicos vigiando suas presas e num potente vôo, capturando-as. Além das aves de rapina, registramos caranguejos, que se mostraram altamente habilidosos na construção de seus refúgios, se protegendo dos predadores.

Passado o período de férias, estamos retomando os trabalhos do projeto, onde pretendemos este ano intensificar a pesquisa nos campos de cima da serra e ampliar a área de estudo, incluindo a área de preservação permanente (APP) da Barragem do Rio São Bento. Segundo relato de alguns moradores existe muitas capivaras nas imediações da APP. Pelo fato das capivaras constituírem uma das dietas dos grandes e médios felinos, acreditamos que eles possam estar rondando a área.

Já na Reserva do Aguaí, pretendemos continuar instalando as armadilhas fotográficas e de vídeo. Além das armadilhas, iremos utilizar as técnicas de escalada do Junior para desenvolver uma base de pesquisa no dossel da floresta, com o propósito de trazer novos dados sobre a fauna.  

E por fim, pretendemos avançar na área da educação, desenvolvendo um projeto de educação sustentável na escola Municipal Rural Rio Mãe Luzia Alto, em Treviso, que tem como objetivo geral ampliar o conhecimento da fauna silvestre, a fim de que as crianças reconheçam os elementos de sua própria paisagem e possam desenvolver um novo olhar sobre o ambiente em que vivem.


Trinta-réis-boreal (Sterna hirundo)
Durante o inverno do Hemisfério Norte a espécie migra para o Brasil, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina.


Piru-piru (Haematopus palliatus)
Possui um bico vermelho em forma de lamina especialmente adaptado a abrir conchas dos mariscos que constituem sua alimentação básica.


Carangueijo Branco da Areia (Ocypode albicans)
Com um buraco em sua carapaça provavelmente causado por um ataque de seus predadores o carangueijo preferiu buscar refugio entre galhos.


Ja esse carangueijo não teve tanta sorte, entre o vai e vem do tirar areia de sua toca foi surpreendido por uma Coruja Buraqueira (Athene cunicularia).
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Talha-mar (Rynchops niger)
Pesca geralmente durante o crepúsculo e à noite, voando rente à água e com a parte inferior do bico mergulhada, como se estivesse arando. Captura peixes e camarões próximos à superfície, sem jamais mergulhar a cabeça.


Chimango (Milvago chimango)
É capaz de adaptar-se à alimentação variada: come parasitas do gado, carniça, ovos de tartaruga e chega a atacar aves adultas.


Quiriquiri (Falco sparverius)
Também conhecido como falcão-americano, o quiriquiri é o menor dos falcões e uma das menores aves de rapina do Brasil, ocorre em todo o território, exceto em áreas de floresta.


Micheli recolhendo leopardus tigrinus vitima dos automóveis.