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Felino de grande porte estaria rondando a região de Seara. No inicio de Março o projeto Felinos do Aguaí recebeu um contato bastante inesperado da Rádio Belos Montes e do Jornal Folha-sete, da cidade de Seara, região Oeste de Santa Catarina. O radialista Ivanir Spagnol e a jornalista Maraise Dreon entraram em contato relatando que a comunidade teria visto na região um felino de grande porte, onde suspeitam ser uma onça-pintada (Phantera onca). Por meio dos relatos, nossa curiosidade ficou bastante aguçada e nos levou a fazer uma visita a região. Através do apoio que recebemos da rádio e do jornal, fomos visitar os moradores da localidade de Linha São Brás – no interior de Seara, com o intuito de obter maiores informações sobre o fato. Visitamos cinco moradores. Ao chegarmos na primeira localidade pude observar uma belíssima paisagem, recortada por montanhosas e água em abundância banhando os paredões. Nossa primeira parada foi na propriedade do agricultor Carlos Decezaro, que diz ter visto a pintada. Segundo ele o felino tinha aproximadamente uns 50 kg e apresentava pintas negras. “O animal andou lentamente na frente do trator e rapidamente se embrenhou na mata”, comenta ele. Para tentar esclarecer de qual espécie se tratava levei o Guia de campo dos felinos do Brasil. Ao ver o guia, Carlos afirma realmente ser a pintada. Insisti na hipótese de ser uma Jaguatirica (Leopardus pardalis) robusta, mas, ele garante que o animal era uma onça pintada. Coincidentemente, na residência deste morador tinha uma imagem de gesso de onça pintada em cima da mesa. Adiante, visitamos um outro morador. Este alega ter visto vários rastros, entre eles, dois rastros maiores e outros três menores, o qual ele acredita ser de uma família de felinos. Ele relatou que as pegadas são mais comuns de serem vistas depois de períodos de chuva. Já Rosana, a terceira moradora, nos informou que um dia desses estava lavando roupa, já tarde da noite, quando de repente foi surpreendida com a presença de três filhotes de felinos em baixo do seu pé de pessegueiro. Ela nos disse que não havia como identificá-los, pois estava muito escuro. A única coisa que ela pode observar e que chamou sua atenção foi o tamanho das cabeças, que segundo ela, eram grandes demais em relação ao corpo dos filhotes. O penúltimo morador nos trouxe mais uma interessante informação. Ele nos disse que teve um dos seus animais domésticos mortos e que o animal apresentou ferimento em cima da cabeça. Volta e meia eles ouvem rugidos estranhos na área. O último morador, por sua vez, diz também ter avistado um felino na área, porém não pode dar maiores detalhes, pois o animal foi avistado longe. Todos estes relatos nos deixaram muito intrigados, porque em cada propriedade ouvimos diferentes histórias e eles realmente pareciam convictos do que estavam dizendo. Para o projeto, todos os registros, sejam eles do norte, do sul, leste ou oeste do Estado, são importantes indícios de que os felinos ainda vivem em nossas florestas resguardando o equilíbrio de nossos ecossistemas. Além disso, o registro de grandes felinos e a sua conservação é um importante foco de atenção do projeto. Mas, a história não para por ai! Com estes curiosos fatos, o projeto visa ceder uma armadilha fotográfica para ser instalada nesta região, com o intuito de descobrir quem é realmente o protagonista destas histórias.
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